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PDCGC


Expediente

Coorganizadores

Giancarlo Martins

Kety De March

Marila Annibelli Vellozo

Revisão de Língua Portuguesa

Ana Paula Mira

Capa e Projeto Gráfico:

Luiza Urban

Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR)

Campus Curitiba II

Rua dos Funcionários, 1357 - Bairro Cabral, Curitiba, Paraná

80.035-050

Apresentação

O compartilhamento é um mecanismo eficiente e necessário para atualizar referências e mobilizar a reflexão crítica. Congregar, num espaço de tempo e lugar, produções geograficamente dispersas colabora com leituras de realidades diversas e com a emergência de novas perspectivas de investigação, favorecendo a discussão, a troca e a diversidade. 

Assim, é com satisfação que, nas páginas que se seguem, apresentamos ao público leitor resultados obtidos pelos(as) Residentes Técnicos(as) e funcionários(as) públicos(as) vinculados(as) à Residência Técnica e Especialização em Gestão Cultural – Primeira Edição, quando da realização de seus Trabalhos de Conclusão de Curso. O desenvolvimento das atividades desses(as) estudantes residentes ocorreu entre os anos de 2022 e 2023, atuando em duas Secretarias de Estado do Paraná – Secretaria da Cultura – SEEC e a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SETI. Estas firmaram Termo de Cooperação com a Universidade Estadual do Paraná – Unespar e com o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, Mestrado Profissional em Artes ofertado pelo campus Curitiba II – FAP, para a realização desse projeto com o intuito de capacitar agentes públicos e recém-graduados de diferentes áreas para atuarem na Gestão Cultural Pública e Privada. 

As pesquisas realizadas por esse grupo de estudantes foram profundamente influenciadas pelas disciplinas cursadas na Especialização vinculada ao Programa de Residência Técnica, e estão voltadas à reflexão da importância de políticas públicas para o desenvolvimento da Gestão da Cultura, tendo como recorte principal o Estado do Paraná. Essa reflexão é de suma importância, especialmente quando dentro de um contexto de atravessamento do pensamento neoliberal, que opera no apagamento da importância daquilo que pode ser considerado não produtivo pela concorrência das produções culturais de massa. Os estudos foram voltados a experiências práticas de execução dessas políticas públicas; à observação, ao diagnóstico e à apresentação de estratégias para formulação de uma gestão mais eficiente dos espaços culturais pertencentes ao Estado do Paraná. Também abordaram a reflexão sobre a influência das ações culturais e espaços da cultura para a sociedade, sua capacidade de autorreflexão, de expressão e reconhecimento ao lutarem por visibilidade quando do embate com o cânone das artes, especialmente ao tratar de grupos minorizados, bem como os desafios para a conscientização da importância de tais espaços e ações. Antes de tudo, é preciso ampliar a discussão sobre o que é cultura e como se determina quem pode produzi-la e quem ocupa o espaço do indivisível e do invisível. 

Espaços culturais permitem construção e/ou preservação de memórias sociais e articulação à identidade de povos a partir do acesso ao que foram e são capazes de produzir, seja no que diz respeito a patrimônios tangíveis ou mesmo a patrimônios intangíveis. Esses espaços também possibilitam que a sociedade tenha contato com a diversidade humana e possa produzir, a partir desse encontro, respeito e dignidade. Nos textos, foram analisadas as inserções de grupos de mulheres, LGBTQIAPN+, grupos de comunidades tradicionais, neurodivergentes, indígenas e marginalizados sociais, além de refletir sobre a relação entre a produção acadêmica realizada nas universidades e a integração possível com a comunidade em busca da preservação cultural. 

Os espaços culturais devem possibilitar o acesso universal à cultura; dessa forma, os textos a seguir também exploram como as instituições da cultura podem trabalhar no sentido de construir e/ou fortalecer políticas de acessibilidade e de inclusão. Ainda refletem sobre proteção aos trabalhadores da cultura e à compreensão de que esses espaços culturais também possuem uma história que deve ser preservada, sendo sua própria existência, formas de gestão, estado de conservação e divulgação reflexos do contexto social em que estão inseridos. 

Como coordenadores deste projeto, encerramos com o sentimento de dever cumprido quando lemos os trabalhos que a vocês são apresentados, pois compreendemos que hoje podemos contar com um grupo significativo de especialistas em Gestão Cultural, que poderão atuar especialmente nas instituições públicas, no intuito de aprimorar as técnicas de gestão voltadas aos espaços culturais e à própria forma como a cultura é interpretada e dada a ver por esses espaços na sua relação com a sociedade. Este livro é uma grande colaboração para transformações pontuais no contexto da Gestão Cultural, principalmente no desenvolvimento de políticas públicas de incentivo à cultura, não apenas para o Paraná, mas, sim, para estudantes, professores, pesquisadores e interessados nas Áreas da gestão e da elaboração de políticas de Cultura. 

Cabe mencionar a importância da presença e da função dos(as) orientadores(as), que, além de acompanhar os processos de escrita e de reflexão crítica, promoveram uma percepção ampliada de cada objeto de pesquisa. Professor Doutor Benito Eduardo Maeso abre a temática “Histórias, Memórias e Potências do Novo”; Professor Mestre Jacson do Espírito Santo inaugura a sessão “O Papel dos Museus na Gestão Cultural”; Professor Doutor Júlio Erthal, apresenta as pesquisas relacionadas a “Apontamentos sobre a Diversidade Cultural”. Outra orientadora, a Professora Doutora Solange Stecz, aborda “Contribuições à Gestão Cultural no Paraná” e o também orientador, Professor Doutor Niltonci Batista Chaves, contextualiza “Apontamentos sobre Diversidade Cultural”. Também agradecemos ao orientador Professor Doutor Márcio Facini, pela parceria e pelas contribuições inestimáveis para esta Especialização. 

Ainda, é importante ressalvar que os(as) especialistas em Gestão Cultural que ora formados(as) compõem essa tessitura em formato de livro digital possuem diferentes formações acadêmicas, o que aponta para a importância da diversidade de pensamentos e do diálogo entre afinidades e contrastes, tendo em comum um interesse legítimo pela cultura, o que permite a nós compartilharmos com vocês a força da relação estabelecida entre poder público, universidade e sociedade na transformação de nossa realidade. 

Boa leitura! 

Giancarlo Martins 

Kety de March 

Marila Annibelli Vellozo